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11/06/2021 08:18

Entenda o movimento feminista e a sua importância para o nosso momento atual

Entenda o movimento feminista e a sua importância para o nosso momento atual

Você sabe o que é feminismo? Conhece mulheres feministas? Acredita que o feminismo é importante ou, ao contrário, acha que é algo dispensável?

Nós da Nova São Paulo criamos esta breve contribuição para os nossos clientes, parceiros e amigos para entendermos um pouco mais juntos sobre o assunto.

Em primeiro lugar, é importante reconhecer que a ideia que se tem na sociedade hoje de feminismo é ampla. Há pessoas que compreendem o assunto como “aversão aos homens ou uma ideologia que prega a superioridade das mulheres, em detrimento dos homens, tal como é o machismo. Junto a essa compreensão, também há aqueles que acreditam que o movimento feminista abarca mulheres “indomáveis”, adeptas à vulgaridade e ao desrespeito às normas sociais. Apesar de equivocada, essa compreensão é bastante difundida na sociedade em que vivemos.

Antes de mais nada, é preciso saber identificar que a disseminação desse tipo de concepção sobre o movimento feminista nada mais é do que a busca por deslegitimar sua importância e seus fundamentos. Retratam propositalmente as feministas como “loucas” para que a grande maior parte da sociedade tenha aversão às suas práticas e ideologias, sem ao menos buscar compreender mais profundamente.

Mas a história do movimento feminista aponta em outro sentido. Analisando historicamente suas contribuições sociais, vemos que, ao contrário de buscarem superioridade, as feministas buscaram sempre a igualdade. Não se trata de querer um espaço de representação social privilegiado, mas, ao contrário disso, de ter o espaço que os homens sempre tiveram espontaneamente.

Para ajudar na compreensão histórica das vitórias alcançadas pelo movimento feminista, resgatamos algumas de suas contribuições ao longo da história.

Linha do tempo com algumas das conquistas do movimento feminista

Você, mulher, pode votar para a presidência da República, para governador, vereador, senador, deputado, etc? Pode planejar a sua carreira profissional, elencando cursos profissionalizantes, graduação, pós-graduação, etc? Hoje você pode escolher com quem casar e, eventualmente, se assim o desejar, optar pelo divórcio? Todas essas coisas que nos parece completamente normais foram conquistas - diga-se de passagem, arrancadas a duras penas - adquiridas pelo movimento feminista de anos anteriores.

Abaixo, algumas dessas conquistas:

Em 27 de agosto, a Lei nº 4.212/1962 permitiu que mulheres casadas não precisassem mais da autorização do marido para trabalhar. A partir de então, elas também passariam a ter direito à herança e a chance de pedir a guarda dos filhos, em casos de separação. No mesmo ano, a pílula anticoncepcional chegou ao Brasil. Apesar de ser um método contraceptivo polêmico, por estar relacionado a diversos problemas de saúde que são desencadeados, foi um medicamento que durante anos permitiu autonomia à mulher em relação a seu corpo, ter maior controle sobre quando engravidar ou não, iniciando uma importante discussão geracional sobre os direitos reprodutivos e a liberdade sexual feminina.

Até o dia 26 de dezembro de 1977, as mulheres permaneciam legalmente presas aos casamentos, mesmo que fossem infelizes. Somente a partir da Lei nº 6.515/1977 é que o divórcio tornou-se uma opção legal no Brasil. Porém, é importante ressaltar que anos após a validação da lei, as mulheres divorciadas permaneceram vistas com maus olhos pela sociedade. Essa pressão social fez muitas mulheres optarem por casamentos infelizes e abusivos em vez de pedirem o divórcio.

Imagine só, apenas no início do século XXI é que o Código Civil Brasileiro extinguiu o artigo que permitia que um homem solicitasse a anulação do seu casamento caso descobrisse que a esposa não era virgem antes do matrimônio. Até este momento, a não virgindade feminina era utilizada como argumento judicial para anular casamentos.

Maria da Penha, a farmacêutica que teve seu nome na lei, foi vítima de duas tentativas de homicídio e lutou por quase 20 anos para que, finalmente, conseguisse colocar seu ex-marido criminoso atrás das grades. Definitivamente, essa é uma das mais importantes conquistas do feminismo para as mulheres brasileiras. A Lei nº 11.340/2002 foi sancionada para tornar crime a violência contra a mulher.

Esses são apenas alguns exemplos que elencamos. Ainda há muitos outros importantes passos que o movimento feminista conquistou como direito a todas as mulheres, não apenas as feministas, inclusive sendo direitos que hoje são usufruídos por setores anti-feminismo. Isso porque justamente a causa feminista não tem a ver com adqurir privilégios, mas sim conquistas para o conjunto da sociedade, tendo em vista que quando uma mulher avança em direitos sociais, a sociedade como um todo também está evoluindo para um lugar mais igualitário, justo, com aproveitamento da capacidade intelectual e produtiva dde um número cada vez maior de pessoas.

Avanços na lei e na transformação da consciência social

Para além dos exemplos citados acima, onde mulheres atuaram para alterar aspectos da legislação, da Constituição etc., há também uma série de transformações na consciência social, aquilo que poderíamos chamar de um avanço intelectual e cultural que extrapola os limites de um pequeno setor social. É capaz de alterar a forma de pensar de diferentes gerações e classes sociais.

O movimento feminista foi responsável por instaurar uma nova forma de enxergar a mulher, que cada vez mais deixa de ser vista como aquela que “nasceu para ser mãe”, que “nasceu com maior dom de executar tarefas domésticas”, ou com o “dom do cuidado”. Cada vez mais se esvai a ideia da mulher como aquela que deve ser submissa, constantemente servil aos interesses dos homens, sejam eles maridos, pais ou filhos.

Ao longo do tempo, a concepção sobre o papel da mulher na sociedade foi se transformando para ganhar maior autonomia sobre seus próprios interesses e objetivos, deixando de ser um objeto sexual masculino, e tornando-se civil e socialmente igual aos homens.

As perspectivas para o movimento feminista, as mulheres e a sociedade em geral

Essa importante trajetória foi determinante para o desenvolvimento da sociedade que vivemos hoje, mas, apesar disso, sabemos que infelizmente ainda não vivemos em uma sociedade plenamente igualitária.

A triste realidade hoje aponta altíssimos índices de feminicídio (onde a mulher é assassinada somente pela sua condição de ser mulher), com grande desigualdade salarial em relação aos homens, ocupando em menor percentual os cargos de diretoria de empresas (apesar de serem metade da população) e outros índices que apontam que ainda hoje, em pleno século XXI, não temos uma sociedade onde a mulher é socialmente tida como igual ao homem. Ainda que na lei isso esteja dito, a realidade prática aponta em outro sentido.

É por isso que o movimento feminista ainda segue sendo importante e indispensável. Enquanto houver opressão de gênero, ainda será necessário contar e apostar no movimento feminista. Ele poderá, quem sabe, deixar de ser necessário em um futuro em que as mulheres terão pleno direito ao próprio corpo, à própria identidade e com os mesmos direitos que os homens, não apenas reconhecidos por lei, mas também implementados na prática.

Nesse sentido, com este artigo, nós da Nova São Paulo esperamos contribuir um pouco com a disseminação da importância e da necessidade do feminismo nos dias de hoje. Vale reforçar que ainda temos um longo caminho pela frente que demandará paciência, atenção e muita didática para explicar aos setores sociais que ainda não se convenceram da importância do feminismo.

Seguiremos insistentemente, juntas, caminhando nessa direção.

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Assessoria Secovi Correspondente Caixa